Não sei se era porque estava escuro, mas a descida me pareceu muito maior do que eu lembrava. Uma nova onda de medo bateu. Se eu não conseguisse forças para descer… A maioria das estórias que eu conhecia de acidentes envolvia a chegada ao cume muito tarde, problemas na descida e pernoite lá em cima. Acho que Arthur se lembrou de me saudar pelo nosso feito com um toque de mão, mas eu só conseguia pensar em sair dali. Logo no início da descida, percebi que a neve que tanto nos atrapalhou para subir, agora dava uma ajuda incomparável para descer. Os quatrocentos metros finais da rota normal seguem “espremidos” entre grandes massas e pilares de rocha.
Espremidos para a proporção da montanha, pois, para nós, é como uma auto-estrada com uns 50 metros de largura. Um caminho de milhares de rochas de um desmoronamento de milhões de anos. A neve pisada formava uma rampa estreita seguindo rente à lateral, por cima daquele terreno irregular que eu bem me lembrava. Arthur já recuperava as energias e disparava caminho abaixo. Eu ficava mais atrás e, de vez em quando, sentava em uma pedra maior para descansar as pernas da forte e contínua descida. Não tardei em chegar à “Cueva”, uma cavidade na parede do início da canaleta, usada como abrigo em situações de emergência. Lá havia dois tambores de plástico azul provavelmente com água, comida, remédios, mantimentos e a frequência de rádio dos guarda-parques escrita na parte externa: 142.800 MHz. Arthur descansava lá também e decidimos passar um rádio para avisar que estava tudo bem.
Na face em que nos encontrávamos, só conseguimos contato com o acampamento base Plaza de Mulas, da rota normal. Demos detalhes de nossa situação e eles pediram que avisássemos o acampamento base Plaza Argentina, no lado leste, quando chegássemos à barraca.
Saiba mais
-22.487492
-42.552905
Gostar disso:
Seja o primeiro a gostar disso post.
Últimos comentários